Hábitos de Segurança no seu dia a dia

7 de Setembro

 

A primeira impressão que me vem no dia das manifestações cívicas é mais da nossa capacidade bélica, do nosso potencial para matar, do que especificamente da nossa capacidade de defesa. Aliás, falar de defesa hoje é eufemismo. Exceto pelos antigos feudos e pela China que se valiam de grandes muralhas para a própria defesa, o que temos hoje é uma verdadeira indústria da guerra em que aquele país que tem mais armas é o que tem a defesa mais eficaz.

Seguindo esse pensamento, o Ministério da Defesa bem que poderia se chamar o Ministério da Guerra e das Forças Armadas. Pois a defesa que existe hoje é, na verdade, a capacidade de sermos mais agressivos que o invasor, ou seja, o “inimigo” não nos ataca, não porque há uma barreira física, mas porque representamos uma ameaça bélica igual ou ainda maior.

E me pergunto: quanto mais armas, maior a defesa, maior a segurança? Se o pensamento é esse, então construir uma bomba atômica seria um grande investimento para um país! Deve ser por isso que o governo estadunidense - o único até hoje a utilizar uma (duas!) bombas atômicas para assassinar pessoas - teve a audácia de invadir o Iraque sob o falso pretexto de que aquele país tinha armas químicas.

Não acredito no poder das armas porque não acredito que existam vencedores em uma guerra. Para mim, quase todos perdem, e quem perde mais é o povo pobre que fica com o maior ônus da guerra: soldados torturados e mortos - de ambos os lados -, estupro, fome, miséria.

Alguns poucos lucram sim: os donos das indústrias bélicas, os banqueiros, os donos de grandes empresas que dão suporte ao aparato da guerra, e os líderes dos governos totalitários que ficam com o espólio. Ao povo: o trabalho quase escravo para a reconstrução de um país destroçado.

A doutrinação que aliena

A segunda impressão que me vem nesse dia cívico é a da doutrinação do nosso povo. É preciso repetir inúmeras vezes que guerrear é bom, ou, se não é bom, pelo menos é necessário. É preciso repetir constantemente, inclusive para as crianças, que todos devemos dar a vida para realizar os desejos megalomaníacos de dominação dos líderes do Estado totalitário. É preciso, se necessário, até ameaçar de morte aquela/e que se recusa a matar, que se recusa a tomar parte nesse delírio coletivo da carnificina que é uma guerra.

Que nos perdoem as crianças que desde a mais tenra idade são doutrinadas a cantar, usando chapéu de papel e espada de madeira: “Marcha soldado, cabeça de papel, quem não marchar direito…”
A bonita melodia contém uma letra nada infantil:

E onde ficam os Direitos Humanos nessa música?

Por outro 7 de Setembro!

Por um 7 de Setembro em que desfilem nossos povos, nossas diversidades, nossas múltiplas culturas, nossas danças, nossos sotaques, nossos atabaques. Que o forte de nossos desfiles seja mais aquilo que nos une, que nos congrega, do que aquilo que nos divide e que nos aparta do outro.

COMO EU TRATO ESOTROPIA CONGÊNITA

Dr. Mauro Plut

Esotropia Congênita costuma ser definida como estrabismo convergente com início antes do sexto mês de vida. Como este tipo de desvio é raramente presente ao nascimento, portanto, não congênito, alguns autores fazem restrição a este termo e preferem denominá-lo Esotropia com Limitação da Abdução ou Esotropia Infantil. É uma desordem com amplo espectro clínico que pode envolver a combinação de grande desvio convergente, hiperfunção de músculos oblíquos, desvio vertical dissociado, nistagmo, torcicolo e ambliopia. Vamos enfocar, neste artigo, o tratamento em crianças até 2 anos idade, visto que a terapêutica após esta época limita-se a resultados puramente estéticos.

O tratamento da esotropia (ET) congênita é essencialmente cirúrgico, porém, importância da terapêutica clínica, com uso de óculos, e principalmente oclusão para ambliopia, não deve ser menosprezada. Na ET congênita típica a prescrição de óculos para hipermetropia, não provoca variações significativas do desvio. Entretanto, existem casos de Esotropia, que aparecem antes do 6º mês de idade, de angulo menor (aproximadamente 30 intermitentes, nos quais a prescrição de lentes positivas a partir de +2.0 DE podem corrigir o desvio. São os casos de esotropias acomodativas, que surgem muito precocemente. Nos casos de ET congênita de angulo grande, constante, a prescrição de óculos para hipermetropia deve ser feita somente se o erro refrativo for maior do que +3.0 D.E..

Assim, prescrevem-se os óculos e avalia-se o estrabismo com correção antes de se planejar a cirurgia. A importância do tratamento da ambliopia previamente à indicação cirúrgica é reconhecida por todos oftalmologistas. A condição básica para se obter visão binocular, após a correção cirúrgica, é boa acuidade visual em ambos os olhos. Outro motivo para se tratar a ambliopia, antes de se realizar a cirurgia, é que após os olhos estarem alinhados é difícil saber se a ambliopia está presente ou não.

Existem várias maneiras de se tratar ambliopia. Eu prefiro a oclusão do olho fixador, por período integral e reavaliação em 7 dias. Quando começar a haver alternância de fixação, passa-se a usar oclusão alternada. A oclusão além de tratar a ambliopia, permite avaliar melhor a abdução, facilitando o diagnóstico diferencial com Síndrome de Duane, ou a rara Paralisia de VI nervo. Existem, atualmente, estudos indicando alteração e melhora nos movimentos de seguimentos lentos com o uso da oclusão.

O tratamento cirúrgico clássico para a ET congênita, e o de minha escolha pessoal, é o retrocesso grande dos músculos retos mediais. Se houver disfunção dos músculos oblíquos estes deverão ser enfraquecidos na mesma cirurgia. A quantidade de retrocesso é baseada na medida do angulo para perto. Nestes pacientes os retrocessos são maiores do que nas outras esotropias, geralmente entre 6,0 e 7,0 mm., talvez isto seja necessário devido à fixação cruzada presente nestes casos.

O objetivo da cirurgia na ET congênita é reduzir o estrabismo para um angulo entre 0 e 8 dioptrias prismáticas, o que permitiria ao paciente obter fusão e visão binocular,

Por volta dos 5 meses de idade pode-se obter bom exame clínico do paciente e a criança costuma colaborar melhor do que crianças com mais idade. O angulo de desvio é medido, para perto, pelo método de Krimsky e nas diversas posições do olhar. As rotações, e a presença de incomitâncias alfabéticas podem ser bem avaliadas. Não há maiores dificuldades para se realizar a refração e fundo de olho. Nesta idade, a ambliopia, se presente, é facilmente tratada e a cirurgia é indicada. Com medidas precisas e consistentes, alternância e uso de óculos, se necessários, não existem razões para se adiar a indicação cirúrgica. Após a cirurgia o oftalmologista deve estar atento com relação a ambliopia, recorrência do desvio horizontal, estrabismo acomodativo e estrabismo vertical que possam eventualmente surgir.

freqüentemente Logo após a cirurgia é desejável haver pequena e transitória hipercorreção. Esta exotropia inicial permite ao paciente, através de convergência fusional, exercitar a fusão e alinhar os olhos. Já são clássicos os trabalhos que demonstram os benefícios do alinhamento obtido antes dos 2 anos de idade. Entretanto a idade ideal na qual a cirurgia deve ser realizada ainda é controversa. Já existem evidencias clinicas demonstrando melhores resultados, na obtenção de estereopsia em pacientes com os olhos alinhados antes de 1 ano de idade e, gradualmente vem sendo apresentados trabalhos com os resultados em pacientes com cirurgias realizadas antes do 6º mês de idade. Estas são denominadas cirurgias muito precoces, onde a indicação cirúrgica é feita a partir dos 3 meses de idade, com o objetivo aumentar a probabilidade de fusão e alto grau de estereopsia. A possibilidade de se obter visão binocular, após a cirurgia de ET congênita, esta relacionada não somente à idade em que é realizada a cirurgia, mas também ao tempo que o paciente permanece com os olhos desviados. Assim, quanto menos tempo o paciente permanecer estrábico, maior seria a chance de obter estereopsia. Artigos e editoriais, recentemente publicados, sugerem, que a intervenção cirúrgica e o alinhamento ocular precoces podem proporcionar maiores probabilidades de obtenção de visão binocular e estabilidade do alinhamento pós-cirúrgico.

LACTENTE APARENTEMENTE CEGO

DRA. SILVIA VEITZMAN

A baixa visão implica no comprometimento de diversas funções do sistema visual. Apesar deste conceito estar amplamente difundido entre os especialistas, a medida da acuidade visual continua sendo o parâmetro mais importante para classificar o grau de resposta remanescente em moderada (AV <20/60) severa (AV <20/200) ou profunda (AV <20/400).

Estes valores são também utilizados como parâmetros para a indicação de magnificação de estímulos através de recursos ópticos e não ópticos.

Crianças, com idade inferior à 18 meses, e portadoras de "baixa visão", não são adequadamente avaliadas pelo oftalmologista clínico. O caso que poderia ser conduzido como um resíduo de visão, acaba com o diagnóstico de "cegueira". Além da dificuldade em se empregar técnicas adequadas e de fácil aplicação, o clínico desconhece a importância do acompanhamento freqüente, para que as respostas visuais do bebê sejam monitoradas, pelo menos, a cada três meses, durante o primeiro ano de vida. O desenvolvimento da visão "anormal" assume perfis muito diferentes, dependendo da doença ocular que causou a perda visual. Este "atraso de desenvolvimento visual" pode vir ou não associado a outras deficiências. Em se tratando de um problema apenas de visão, certas condutas são necessárias, como modificações do meio ambiente, magnificação e orientação familiar que possibilitem o uso deste canal para a comunicação com o mundo. Outro aspecto importante é o diagnóstico correto da causa de perda visual com base no prognóstico (se uma doenças genética ou adquirida) nem sempre aparente no exame oftalmológico de rotina. Nestes casos, devemos recorrer a uma investigação especial eletrofisiológica ou de diagnóstico por imagem para avaliação de lesões no sistema nervoso central (SNC).

Os exames eletrofisiológicos, dentro dos parâmetros preconizados internacionalmente podem ser realizados em bebês desde o primeiro mês de vida, tanto com finalidades diagnósticas (eletroretinograma) como para monitorar, objetivamente a função visual (potencial enviado visual). Associando elementos avaliativos à conduta da magnificação, quando houver necessidade, estes bebês poderão estar empregando sua visão residual de modo eficiente e integrado às suas atividades. É nosso papel orientá-los, pois muito pode ser feito pelo clínico e pela família até que outros profissionais, em regime multidisciplinar, se associem ao trabalho de reabilitação (em geral para crianças com deficiências múltiplas).

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